Lesão cerebral: novo objetivo pode ajudar a eliminar a inflamação

By | Novembro 9, 2018

Quando ocorre uma lesão cerebral traumática, uma inflamação do sistema nervoso é desencadeada, o que pode prejudicar ainda mais a saúde do cérebro. No entanto, os pesquisadores estão estudando a prevenção dessa resposta inflamatória visando um tipo de célula cerebral.

Lidar com células cerebrais especializadas pode ser o primeiro passo no desenvolvimento de melhores tratamentos para lesões cerebrais

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Pesquisadores da Ohio State University, em Columbus, realizaram recentemente um estudo em ratos, investigando um novo alvo celular com potencial para prevenir inflamação após uma lesão cerebral traumática.

Mais especificamente, eles testaram um medicamento que lhes permitia bloquear a atividade da microglia, um tipo de célula nervosa com um papel fundamental na resposta imune.

"Usamos um medicamento para eliminar células chamadas microglia em camundongos que sofreram uma lesão cerebral, e a inflamação que é a marca registrada de uma lesão cerebral traumática desapareceu", explica a pesquisadora Kristina Witcher.

Como Witcher também acrescenta, no momento, não existem medicamentos aprovados para tratar uma lesão cerebral grave. O presente estudo tem como objetivo nos trazer melhores cuidados à saúde cerebral.

As descobertas dos pesquisadores agora aparecem na revista GLIA.

Um primeiro passo importante

No estudo recente, a equipe teve como objetivo simular os efeitos do tipo de lesão cerebral que uma pessoa poderia experimentar após receber um golpe na cabeça que os faria perder a consciência brevemente.

Trabalhando com um modelo de camundongo, os pesquisadores apontaram para a microglia, que parecia impedir uma resposta inflamatória prejudicial no cérebro dos animais.

"A inflamação crônica com lesão cerebral é prejudicial e, neste estudo, conseguimos eliminar essa resposta inflamatória do sistema imunológico, atacando um único tipo de célula específico".

Autor principal Jonathan Godbout

"Agora", diz ele, "temos uma célula específica a ser alvo quando examinamos possíveis intervenções para reduzir os danos causados ​​por concussões".

No entanto, os cientistas não acreditam que o medicamento usado em seu estudo com ratos seja usado para tratar lesões cerebrais em humanos.

Isso ocorre porque, embora possa impedir a microglia de provocar inflamação, ela também danifica suas outras funções, o que ajuda a manter a saúde do cérebro. Afinal, a microglia responde por aproximadamente 10-15 por cento de todas as células cerebrais.

"Não sabemos os efeitos a longo prazo da eliminação dessas células imunológicas", adverte Godbout, "mas estamos fazendo mais análises fisiológicas, bioquímicas e comportamentais para chegar ao fundo dessa questão".

A descoberta intrigante leva a mais perguntas

Outro aspecto que os pesquisadores estão investigando é como é a resposta inflamatória em momentos diferentes após uma lesão cerebral.

"Você precisa entender a natureza mutável do que está acontecendo nessas células para determinar melhor onde e quando intervir", diz Witcher.

Como as tentativas de tratar lesões cerebrais simplesmente com medicamentos anti-inflamatórios não foram bem-sucedidas, ele diz, aprender mais sobre os mecanismos da resposta inflamatória no cérebro é crucial para projetar um tratamento apropriado.

Até agora, os pesquisadores fizeram outra descoberta intrigante sobre a microglia após uma lesão cerebral, a saber, que essas células se tornaram estranhamente alongadas.

No entanto, Witcher diz: "Por enquanto, não sabemos realmente o que essa estrutura significa e se ela tem algum significado funcional, mas essas são perguntas que gostaríamos de explorar".

Pesquisas adicionais também explorarão se certas células nervosas desempenham um papel principalmente útil, enquanto outras facilitam lesões subsequentes após trauma no cérebro.

"É possível que alguns promovam a inflamação e outros trabalhem contra ela, talvez até mantendo os neurônios vivos", especula Godbout.


[expand title = »referências«]

  1. O dano neural induzido por lesão cerebral traumática no córtex torácico causa a formação de microglia em forma de barra que promove a astrogliose e neuroinflamação persistente https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/glia.23523?referrer_access_token=-A-d98EQ65KVG93iqfmP8k4keas67K9QMdWULTWMo8NrABNucxd3RrMGbWoGWXNoQpGYUFR7A0tc1wiocaHty3nX6_8637xMnibBLbVZC3hGCrMHkbPJ9JcaqmWIgdyf

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